Ministério da Justiça
Brasil um país de todos
Povos Indígenas
pixel
pixel
pixel

pixel
pixel
  Apoio às Comunidades
 Desenvolvimento Comunitário
 Meio Ambiente
 Patrimônio Indígena
 Programa Parakanã
 Programa Waimiri-Atroari
 Projeto Krahô
  Direitos Indígenas
 Procuradoria Geral
 Ouvidoria
  Educação Escolar
 Coordenação Geral de Educação
 Ações do MEC
 Assistência a Estudantes Indígenas Fora da Aldeia
 Capacitação de professores e Técnicos em Educação Indígena
 Comunidade Escolar nas Aldeias
 Oficinas de políticas públicas
 Projeto 3º Grau Indígena
  Conferências
  Institucional
 Administrações Regionais e Núcleos de Apoio
 História da Funai
 Informes SEII
 Missão Institucional
 Museu do Índio
 Personagens
 Plano Editorial
 Programa do governo Lula para os Índios
  O Índio
 Diversidade das Línguas Indígenas
 Diversidade das Sociedades Indígenas
 Etnias Indígenas
 Índios Isolados
 O Índio
 Rituais Indígenas
  Terras Indígenas
 O processo de regularização fundiária
 PPTAL
pixel
pixel
  Serviços
Mapa
pixel
pixel
pixel
pixel
Povos Indígenas » Institucional  »  Personagens
pixel
pixel
pixel
pixel

Personagens

Marechal Rondon

Cândido Mariano da Silva era descendente de índios Terena, Borôro e Guaná. Ele nasceu em 5 de maio de 1865, numa cidadezinha de Mato Grosso chamada Mimoso, mas que hoje é Santo Antônio do Leverger. Perdeu os pais ainda menino e foi criado por um tio, cujo sobrenome - Rondon - Cândido Mariano adotou anos mais tarde, com autorização do Ministério da Guerra.

O jovem Cândido Mariano licenciou-se como professor primário pelo Liceu Cuiabano, de Cuiabá, antes de continuar seus estudos no Rio de Janeiro. Em 1881, entrou para o Exército e dois anos depois para a Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1886 ele foi encaminhado à Escola Superior de Guerra e assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação da República. Por meio de exames prestados em 1890, graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais. Foi aluno de Benjamim Constant, e a ideologia positivista o guiou por toda a sua vida.

Em 1889, Cândido Mariano foi nomeado ajudante da Comissão de Construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá a Registro do Araguaia, que era chefiada pelo coronel Gomes Carneiro. Por sua indicação, Rondon veio a assumir a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso, em 1892. Desde então, chefiou várias comissões para instalar linhas telegráficas no interior do Brasil, identificadas, genericamente, pelo nome de Comissão de Construção de Linhas Telegráficas e Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon.

Ele se destacou pela instalação de milhares de quilômetros de linhas telegráficas interligando as linhas já existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Triângulo Mineiro com os pontos mais distantes do País. Um esforço de grandes proporções para a integração nacional através das comunicações. Ao mesmo tempo em que realizava o trabalho, Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Registrou novos rios, corrigiu o traçado de outros no mapa brasileiro e ainda entrou em contato com numerosas sociedades indígenas, sempre de forma pacífica. Pela sua vasta contribuição ao conhecimento científico, foi alvo de homenagens e recebeu muitas condecorações de instituições científicas do Brasil e do exterior.

A repercussão da obra indigenista de Rondon valeu-lhe o convite feito pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910. Nesta função, comandou e traçou o roteiro da expedição que o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, Prêmio Nobel da Paz em 1906, realizou pelo interior brasileiro entre 1913 e 1914, a Expedição Roosevelt-Rondon.

Também publicou o livro Índios do Brasil, em três volumes, editado pelo Ministério da Agricultura. Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca”.

Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções por merecimento, chegou a general-de-brigada em 1919 e a general-de-divisão em 1923.

A Inspeção de Fronteiras foi criada em 1927 para realizar o estudo das condições de povoamento e segurança das fronteiras brasileiras. Rondon ficou responsável por sua organização e chefia. Assim, ele percorreu milhares de quilômetros, do extremo norte do País ao Rio Grande do Sul, a fim de inspecionar pessoalmente as fronteiras.

Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva de primeira classe do Exército e, em 1940, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), criado para prestar orientação e fiscalizar a ação assistencial do SPI, cargo em que permaneceu por vários anos. Encaminhou ao presidente da República, em 1952, o Projeto de Lei de criação do Parque Indígena do Xingu.

Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. Já cego, faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.

Ao longo de sua vida e postumamente, pelo conjunto de sua obra, Rondon recebeu as maiores condecorações civis e militares, brasileiras e estrangeiras, entre elas o Prêmio Livingstone, da Sociedade Geográfica de Nova York/EUA; a inscrição de seu nome em letras de ouro, na mesma Sociedade, por ter sido considerado o explorador que mais se destacou em terras tropicais; a indicação de 15 países para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em 1957; a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar; os títulos de "Civilizador dos Sertões" e "Patrono das Comunicações no Brasil".

Para homenagear Rondon, foi escolhido o dia 5 de maio, sua data natalícia, para a comemoração do Dia Nacional das Comunicações. O antigo Território Federal de Guaporé recebeu o nome de Rondônia também em sua homenagem.

Irmãos Villas-Boas

A primeira expedição realizada na região do alto Rio Xingu ocorreu em 1884, chefiada pelo alemão Karl von den Steinen. Só na década de 1940, no governo do presidente Getúlio Vargas, a região começou a ser sistematicamente visitada e explorada. Foi organizada a Expedição Roncador-Xingu, que percorreu regiões inexploradas do Brasil central com o objetivo de desbravá-las, abrindo estradas e construindo campos de pouso de emergência. Como conseqüência da II Guerra Mundial, nacionalistas temiam que houvesse um deslocamento de colonos europeus para o interior do Brasil e a ação da Expedição visava à defesa da região.

Os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas foram membros da Expedição. Eles dedicaram-se ao contato amistoso e à proteção dos índios que viviam nas cabeceiras do Rio Xingu. Paulistas, oriundos de uma família de classe média, tinham um irmão mais novo, Álvaro, que, embora não os tenha acompanhado ao Xingu, foi funcionário do órgão indigenista oficial, chegando a ser presidente da Funai, na década de 1980.

Em 1944, a Expedição Roncador-Xingu contatou o povo Xavante, ainda hostil. Dois anos depois, estabeleceu contatos pacíficos com cerca de 14 povos do alto Xingu, de grande diversidade cultural, lingüisticamente representantes das Famílias Tupi, Aruak, Karib e Jê. Estes povos, que continuavam vivendo da mesma forma que Steinen os encontrara no século XIX, tinham sofrido um decréscimo populacional sensível, devido aos ataques violentos de gripe, disenteria e outras doenças infecciosas, que começaram a invadir a região cerca de 30 anos antes. Teriam sido contagiados, aparentemente, porque alguns grupos de índios, deslocando-se pelos rios, haviam encontrado colonos brasileiros ao longo do Rio Paranatinga e em outros lugares.

Mantendo contato com Rondon e com outros indigenistas, os irmãos Villas Boas decidiram permanecer no Xingu e desenvolver aí um programa positivo de proteção aos índios, buscando assegurar-lhes uma base territorial onde pudessem manter seus modos tradicionais de organização social e de subsistência econômica, além de fornecer-lhes assistência médica contra doenças exógenas. Os irmãos defendiam a criação de reservas e parques indígenas fechados, que funcionassem como uma espécie de tampão protetor e seguro entre índios e sociedade brasileira. Eles achavam que o processo de integração dos povos indígenas na sociedade nacional deveria ser gradual, de forma a garantir a sobrevivência física, as identidades étnicas e os estilos de vida de cada um daqueles povos.

Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922, no município de Montes Claros, Minas Gerais. Perdeu o pai muito cedo e sua mãe era professora primária. Em 1939, foi para Belo Horizonte, para estudar medicina. Lia muito e preferia assistir às aulas dos cursos da Faculdade de Filosofia e da Faculdade de Direito, acabando por ser reprovado duas vezes na Faculdade de Medicina. Em 1943, escreveu seu primeiro romance, Lapa Grande.

Um ano depois, Darcy Ribeiro matriculou-se na Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo, a convite do professor americano Donald Pierson. Em 1946, graduou-se em Sociologia, com especialização em Etnologia, sob a orientação do professor alemão Herbert Baldus. Comunista desde 1940, integrou-se rapidamente num grupo intelectual paulista, do qual faziam parte, entre outros, Caio Prado Júnior, Oswald de Andrade e Jorge Amado.

Em 1947, Darcy foi contratado para trabalhar na Seção de Estudos do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), casando-se com Bertha Gleiser no ano seguinte.

No SPI, fez diversas viagens de pesquisa de campo, dedicando-se a estudar os índios Kadiwéu e os Urubus-Kaapor, além de ter visitado aldeias dos Terena, Kaiwá e Ofaié-Xavante e de ter feito viagem de estudos ao Xingu. Em 1952, foi à Bolívia e ao Peru, detendo-se na observação dos povos Quíchua e Aimará. No mesmo ano, organizou o Museu do Índio, inaugurado oficialmente em abril de 1953.

Junto com o cineasta alemão Heinz Foerthmann, também funcionário do SPI, realizou o filme "Funeral Bororo", documentando o sepultamento de Cadete, cacique daquele povo, em 1953.

Em 1954, Darcy Ribeiro colaborou com Jaime Cortesão na organização da parte indígena da "Grande Exposição de História do Brasil", montada em um edifício especialmente construído para ela, por Oscar Niemeyer, no conjunto do Ibirapuera, por ocasião das comemorações do IV Centenário de São Paulo. No mesmo ano ele fez sua primeira viagem à Europa, a convite da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 1955, com o auxílio do prof. Eduardo Galvão e com patrocínio da Capes, Darcy Ribeiro organizou no Museu do Índio o primeiro Curso de Pós-Graduação em Antropologia Cultural realizado no Brasil, que veio a formar muitos pesquisadores destacados. Também assumiu a cadeira de Etnografia Brasileira e Língua Tupi da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, integrou uma equipe organizada pela Unesco para estudar as relações inter-raciais no Brasil e, devido a uma crise no SPI, acabou sendo demitido da instituição, em 1957.

No mesmo ano, foi contratado por Anísio Teixeira para dirigir a Divisão de Estudos Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), do Ministério da Educação e Cultura. Ele levou para lá o Curso de Pós-Graduação que organizara no Museu do Índio, ampliando-o na área de Sociologia.

Em 1959, Darcy assumiu o cargo de vice-diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, como principal colaborador do prof. Anísio Teixeira. No mesmo ano foi eleito presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e também planejou e dirigiu, no CBPE, um ambicioso Programa de Pesquisas Socioantropológicas.

Embora fosse inicialmente contrário à construção de Brasília, acabou aderindo ao projeto e foi encarregado, pelo presidente Juscelino Kubitschek, do planejamento da Universidade de Brasília. Ele recebeu contribuições de Anísio Teixeira e de Oscar Niemeyer, bem como de muitos cientistas ligados à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A pedido do presidente Jânio Quadros, colaborou com Anísio Teixeira na elaboração de um Plano Nacional de Educação, em 1961, e no mesmo ano assumiu a Reitoria da Universidade de Brasília, empossado pelo presidente João Goulart.

Em 1962, tornou-se ministro da Educação e Cultura, elaborou o documento de sanção presidencial da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e colocou em execução o primeiro Plano Nacional de Educação, além de ter sido eleito presidente do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Em 1963, foi nomeado chefe da Casa Civil do presidente João Goulart, exercendo o cargo até o golpe Militar de 31 de março de 1964. Então exilou-se em Montevidéu, onde foi contratado como professor de Antropologia da Faculdade de Humanidades e Ciências da Universidade da República Oriental do Uruguai.

Em 1968, anulados pelo Supremo Tribunal Federal os diversos processos que lhe haviam sido impostos pela ditadura militar, em face do movimento de redemocratização que tinha lugar no Brasil, Darcy Ribeiro retornou ao país, mas a promulgação do Ato Institucional nº 5 levou-o à prisão preventiva durante nove meses. Em 1969, foi julgado por um tribunal militar e considerado pessoa da mais alta periculosidade. Mas acabou sendo absolvido por falta de provas. Em seguida, sentindo-se pressionado pelo Exército, exilou-se na Venezuela, onde trabalhou como professor da Universidad Central de la República. Viajou por diversos países, participando de seminários e grupos de estudos, fazendo palestras, dando cursos e desenvolvendo atividades afins. Dessa forma, esteve no Peru, na Colômbia, na Argentina, na Argélia e na França.

Em 1971, mudou-se para o Chile, a convite do presidente Salvador Allende, e assumiu o cargo de professor pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, em Santiago.

Em 1972, transferiu-se para o Peru, sendo contratado pela OIT, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, para implantar, em Lima, o Centro de Estudos da Participação Popular (Centro). Também continuou viajando para participar de congressos, conferências etc., visitando o México, o Equador e Portugal.

Em 1974, Darcy descobriu ter um câncer pulmonar, foi a Paris para exames e conseguiu voltar ao Brasil, depois de muitas conversações com o governo militar. Depois de um cirurgia, foi considerado curado. Compelido pela ditadura militar a deixar o Brasil novamente, no ano seguinte voltou a Lima e reassumiu a direção do Centro. No mesmo período elaborou um plano para a implantação de uma Universidade do Terceiro Mundo, a pedido do presidente Echeverría, do México, que resultou no Centro de Estudos do Terceiro Mundo.

Em 1976, voltou ao Brasil e fixou-se no Rio de Janeiro, viajando com freqüência, para participar de conferências, reuniões científicas e simpósios no Brasil e no exterior.

Já separado da primeira esposa há anos, casou-se com Cláudia Zarvos em 1978, ano em que participou ativamente da campanha contra a falsa emancipação dos índios pretendida pelo governo militar, mobilizando universidades, imprensa e lideranças indígenas.

Anistiado, por lei, em 1979, retomou seu cargo de professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de ter recebido, na França, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Paris, no salão nobre da Sorbonne. No mesmo ano, aliou-se a Leonel Brizola para reorganizar o antigo Partido Trabalhista Brasileiro, cujo registro foi negado pelo governo, no ano seguinte, o que os levou à criação do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Ainda em 1980, foi membro do júri do 4º Tribunal Russel, reunido na Holanda, para julgar crimes contra populações indígenas, integrou a Comissão de Educadores, convocada pela Unesco, que se reuniu em Paris para definir as futuras linhas de desenvolvimento da cultura e da educação no mundo, e planejou a estruturação da nova Universidad Nacional de Costa Rica.

Em 1981, integrou a diretoria do Instituto Latinoamericano de Estudos Transnacionais (Ilet), sediado no México. No ano seguinte, foi eleito vice-governador do estado do Rio de Janeiro, com o governador Leonel Brizola. Também continuou participando de conferências e reuniões científicas em várias partes do mundo, visitando os Estados Unidos, a Espanha, a Itália e a Alemanha, entre outros países.

No Rio de Janeiro, como secretário de Estado de Cultura e cordenador do Programa Especial de Educação, cargos assumidos em 1983, foi o responsável pela construção do Sambódromo, com 200 salas de aula debaixo de suas arquibancadas, pela construção do Monumento a Zumbi dos Palmares, pela implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), pela construção da Biblioteca Pública Estadual do Rio de Janeiro e pela implantação das Casas da Criança (creches de horário integral). Darcy Ribeiro também organizou o Centro Infantil de Cultura do Rio, um modelo integrado de animação cultural, aberto a centenas de crianças faveladas, e, com a colaboração de João Filgueiras Lima, implantou a Fábrica de Escolas, que visava a acabar com a necessidade do terceiro turno escolar. Em colaboração com Tatiana Memória, criou um novo modelo de instituição assistencial para crianças, as Casas Comunitárias.

Em 1986, foi candidato a governador do estado do Rio de Janeiro e reintegrou-se ao corpo de Pesquisadores Seniores do CNPq, tendo recebido homenagens da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e da Assembléia Legislativa do mesmo estado.

Em 1987, assumiu o cargo de secretário de Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais e elaborou, a convite do governador Orestes Quércia, de São Paulo, o programa cultural do Memorial da América Latina, cuja arquitetura foi assinada por Oscar Niemeyer. Para orientar e contratar a compra de coleções de obras de arte, livros, discos e filmes, que constituiriam o acervo do Memorial, esteve em Cuba, México, Guatemala, Peru, Equador e Argentina.

Por ocasião da comemoração dos 30 anos da Casa das Américas e da Revolução Cubana, foi condecorado por Fidel Castro com a medalha Haydée Santamaria, em 1989. Na mesma época, empenhou-se na campanha eleitoral de Brizola, então candidato à Presidência da República, e foi reincorporado ao corpo docente da Universidade de Brasília. Ainda naquele ano, recebeu os títulos de Professor Emérito do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de Presidente Emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

No exercício de seu mandato como senador, publicou, em 1991, a revista informativa Carta. Naquele mesmo ano, assumiu a Secretaria Extraordinária de Programas Especiais, no estado do Rio de Janeiro, retomando a implantação do Programa Especial de Educação para preparar 30 mil professores, através de cursos de treinamento intensivo, a fim de desenvolver trabalhos em 500 Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e em 400 Centros Integrados de Assistência à Criança (Ciacs).

Em 1992, assumiu a responsabilidade de criar a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), apresentou ao Senado Federal o novo Projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e implantou um Centro de Teleducação na Secretaria Extraordinária de Programas Especiais. O Centro passou a produzir e emitir programação educativa para todas as unidades escolares do estado do Rio de Janeiro, assim como para outros estados, com transmissões via satélite. Logo no ano seguinte, tomou posse na Academia, vindo a ocupar a cadeira 11.

No período que se seguiu, dedicou-se ao Ensino a Distância e à elaboração de vasto material educativo, para capacitação de professores e apoio aos alunos em sala de aula, elaborado dentro de uma orientação construtivista. O vasto material didático produzido foi utilizado em toda a rede pública de ensino do estado do Rio de Janeiro e em outros estados também. A partir de agosto de 1995, passou a ser articulista do jornal Folha de S. Paulo. Naquele mesmo ano, o reitor da Universidade de Brasília, João Carlos Todorov, outorgou-lhe o título de Doutor Honoris Causa, e seu nome foi dado ao Campus da mesma Universidade. Ainda recebeu o Prêmio Interamericano de Educação "Andrés Bello", concedido pela Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Darcy Ribeiro faleceu em Brasília, em 17 de fevereiro de 1997, tendo sido sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. Após seu falecimento, a Fundação Darcy Ribeiro (Fundar) tornou-se responsável pelo seu acervo e pela preservação de sua memória.

Ainda em vida, ele recebeu diversos outros prêmios, títulos e condecorações de instituições nacionais e estrangeiras, além dos já citados. Como pesquisador, educador e escritor, deixou vastíssima obra publicada, não só em português, como em várias outras línguas. Escreveu romances, livros relativos a estudos antropológicos, livros referentes à educação, outros sobre estudos diversos e ainda um de literatura infanto-juvenil. Além disso, prefaciou vários outros livros e elaborou dezenas de artigos e textos diversos, bem como projetos, participando, também, de três documentários cinematográficos.

De personalidade controvertida, Darcy Ribeiro foi cientista e educador antes de entrar para o mundo da política e possivelmente estão nessas áreas suas contribuições mais indiscutíveis e relevantes para o Brasil.

Noel Nutels

Nasceu ainda na Rússia dos Czares, em Ananiev, a 24 de abril de 1913, às vésperas do início da I Guerra Mundial. Emigrou para o Brasil, com a mãe e uma tia, em 1921. Seu pai tinha vindo alguns anos antes e havia se estabelecido como comerciante em Laje do Canhoto, Pernambuco. Em 1936, Noel formou-se em Medicina na Faculdade do Recife. No ano seguinte, conseguiu sua naturalização como brasileiro. Casou-se com Elisa Trachtenberg Nutels em1940, com quem teve um casal de filhos, que receberam os nomes dos avós paternos.

De temperamento inclinado a abraçar causas públicas, sempre preocupado com os menos favorecidos economicamente, especializou-se como médico sanitarista e tisiologista. É importante frisar que a tuberculose, na época, ainda era tida como uma doença gravíssima e de grande resistência aos processos terapêuticos então utilizados.

Sua carreira médica encaminhou-se, desde logo, para o serviço público, começando no Instituto Experimental Agrícola de Botucatu e prosseguindo na Fundação Brasil Central, no Serviço de Proteção aos Índios e no Serviço Nacional de Tuberculose.

A partir de sua admissão como médico na Fundação Brasil Central, em 1943, tornou-se um incansável e dedicado amigo das populações indígenas, quer como cientista, quer como homem. Noel Nutels atuou durante 30 anos junto a essas populações, com grande idealismo, sempre visando à preservação do seu patrimônio físico e cultural. Dizia ele: "Todo o meu trabalho como médico entre os índios do Brasil foi orientado por uma única idéia: que o processo rápido de civilizar o índio é a forma mais eficaz de matá-lo."

Como médico da Expedição Roncador-Xingu, conviveu com os irmãos Villas Boas e, mais tarde, com eles e com Darcy Ribeiro, participou do grupo que veio a criar o Parque Nacional do Xingu.

Diante do surto de sarampo ocorrido no Parque, em 1954, os irmãos Villas Boas, seus dirigentes, mobilizaram o apoio de um grupo de médicos da Escola de Medicina de São Paulo e de uma equipe de funcionários da saúde pública associados a Noel Nutels no Rio de Janeiro.

Esse pessoal médico, em associação com a Força Aérea Brasileira, levou imediatamente ajuda à região e conseguiu interromper a epidemia de sarampo antes que ela destruísse toda a população do alto Xingu.

Com essa experiência, Nutels criou e desenvolveu um trabalho de atendimento médico às populações indígenas e interioranas - o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas (Susa), que atuou de 1956 a 1973.

Durante seus trabalhos junto aos índios, realizou filmagens com sua câmera 16mm, tanto em preto-e-branco como em cores, que constituíram 34 filmes, totalizando aproximadamente cinco horas de documentário.

Como indigenista, cientista e médico de massas, foi levado ao pioneirismo em muitos campos pela necessidade de suprir, contornar e/ou superar as deficiências que encontrava.

Noel Nutels deixou grande número de trabalhos científicos publicados e durante toda a sua vida participou ativamente de congressos, reuniões e debates referentes às suas áreas de especialidade. Foi professor de cursos especializados e realizou numerosas conferências, no Brasil e no exterior (na França, Itália, URSS, etc.).

Sempre buscando a atualização e o aperfeiçoamento profissional, fez diversos cursos de especialização em alimentação, nutrição e dietética, malária, tisiologia clínica sanitária e social, radiologia clínica pulmonar e saúde pública, entre outros.

Em 1963 ele foi nomeado diretor do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e, em 1968, membro do Conselho Diretor da Fundação Nacional do Índio (Funai). Em 1972, tornou-se conselheiro científico da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso.

Noel Nutels faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1973.


Curt Nimuendajú

O Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendajú é um instrumento de consulta dos mais importantes para os pesquisadores que trabalham com os índios do Brasil. Ele foi editado no Rio de Janeiro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em colaboração com a Fundação Nacional Pró-Memória/Secretaria de Planejamento da Presidência da República, em 1981.

O mapa é formado por dois volumes: um deles contém índices das sociedades indígenas, bibliográfico e de autores, bem como textos de esclarecimento a respeito da ortografia dos nomes tribais e de outros assuntos de interesse. O outro, sob a forma de encarte, é o mapa propriamente dito, que mostra a localização das sociedades indígenas no território brasileiro em diferentes épocas, traçando, em alguns casos, possíveis rotas de migração e assinalando a filiação lingüística das diversas sociedades.

O autor do mapa foi Curt Unkel, um alemão nascido em Jena, em 1883, e que muito cedo saiu de sua terra natal para viajar. Chegou ao Brasil em 1903, onde se fixou em São Paulo, até 1913, e depois em Belém. Ele era um autodidata e nunca realizou estudos universitários. Curt viajou muito em terras brasileiras e conviveu durante 40 anos com diferentes sociedades indígenas, sempre escrevendo e fazendo anotações em alemão.

Curt recebeu o nome Nimuendajú dos Guarani, com quem viveu durante a primeira década do século XX, submetendo-se a uma cerimônia de batismo presidida por um pajé. O nome significa "o ser que cria ou faz o seu próprio lar". Acabou por adotar o novo nome e passou a assiná-lo.

Curt Nimuendajú trabalhou e realizou pesquisas para o Museu do Ipiranga (São Paulo), Serviço de Proteção aos Índios (no qual ingressou em 1911), Museu Nacional (Rio de Janeiro), Museu Paulista (São Paulo), Museu Paranaense (Curitiba), Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém) e para diversos museus e universidades do exterior. Fez escavações arqueológicas, coletou material lingüístico e objetos da cultura material dos povos com quem conviveu, realizou estudos etnológicos, fez levantamentos geográficos, desenvolveu trabalhos topográficos e cartográficos, registrou a música indígena, sempre ilustrando suas anotações com seus desenhos a bico de pena.

Ele produziu uma obra vastíssima, muita coisa editada em línguas estrangeiras, e morreu em circunstâncias cercadas de mistério, durante mais uma de suas viagens de pesquisa de campo, provavelmente em 1945, no estado do Amazonas. Seu espólio científico (biblioteca, arquivo) foi adquirido pelo Museu Nacional.

pixel
pixel
pixel
pixel
Busca
Ok
Buscar somente no tema Povos Indígenas
pixel
pixel
Meus Dados
pixel
pixel
Banner de ligação com o Fale Conosco
pixel
pixel
Banner de ligação com o Tire suas Dúvidas
pixel
pixel
pixel
pixel
pixel
pixel
CNPI
Acesso Restrito 


pixel
Retorna Sobe

© 2007 Ministério da Justiça