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29/08/2008 - 16:37h

MJ anistia perseguidos políticos banidos do país

Brasília, 29/08/08 (MJ) – Em lembrança aos 40 anos de invasão militar à Universidade de Brasília (UnB), a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça está na instituição para julgar requerimentos de perseguidos políticos que foram banidos do país durante a ditadura. As análises dos processos (14 no total) começaram no final da manhã e devem se estender até o início da noite desta sexta-feira (29).

“Estamos unidos dois assuntos muito importantes: o movimento de resistência à ditadura e a invasão da UnB, que tem seqüelas até hoje”, afirmou o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão. Ele fez referência ao presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília em 1968, Honestino Guimarães. Preso pelos militares, Guimarães é um dos desaparecidos políticos do país. Não foi visto mais após 1973.

“Os banidos têm uma histórica muito rica. Foram apátridas, tiveram imensa dificuldade em retomar suas vidas”, completou Abrão, durante a abertura da atividade.

Conselheiro da Comissão de Anistia por cinco anos, o reitor da UnB, Roberto Aguiar, saudou o trabalho do órgão. Segundo ele, uma das formas de dominação do povo é não permitir que este conheça sua memória, daí a importância da Comissão.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, e o representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Danilo Silvestre, pediram a abertura dos arquivos da ditadura.

Julgamentos

Durante a manhã, foram julgados os processos de Aderbal Alves Coqueiro (post-mortem), Marco Antônio Maranhão da Costa e Luiz Alberto Leite Sanz.

Banido do país em 1970, Coqueiro foi morto pela repressão em 1971, ao voltar, na clandestinidade, da Argélia. “Meu marido saiu do país e depois não o vi mais”, disse, emocionada, a viúva Isaura Coqueiro. O anistiado, que era metalúrgico em São Paulo, foi o primeiro banido político do Brasil a ser assassinado pelo regime.

O escriturário Maranhão teve que ir para o Chile em 1970. Ele foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, seqüestrado por organizações de esquerda no mesmo ano. “Não há dinheiro no mundo que pague a perseguição. Me considero um sobrevivente”, disse, ao lembrar dos companheiros que não agüentaram emocionalmente a expulsão do país e morreram no exterior.

Também trocado pelo embaixador suíço, o jornalista Barreto só voltou ao Brasil em 1979, com a edição da Lei de Anistia. “É um ato importante, mas desnecessário. Não deveria ter havido ditadura militar, para que nada disto (torturas, mortes) tivesse acontecido”.

Troca de informações e mais julgamentos

A Comissão tornou público no evento da UnB que, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a partir de agora os requerimentos que tiverem informações sobre torturas e assassinatos serão remetidos às repartições do MPF de cada região. O órgão pretende proceder às investigações criminais sobre os fatos.

Os julgamentos continuam esta tarde. A iniciativa acontece dentro da Semana da Anistia Política: 29 anos da Lei de Anistia e 40 anos de resistência estudantil na Universidade de Brasília (UnB), realizada desde a última quarta-feira (27).

A atividade também faz parte da Anistia Cultural, proposta da Comissão que visa dar um caráter pedagógico às ações do órgão e difundi-las entre os estudantes, promovendo uma conscientização e contribuição para a construção da história do Brasil. O projeto está na sua sexta edição.

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