Brasília, 26/06/2008 (MJ) – Depois do Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia, é a vez de Curitiba receber nesta sexta-feira (27) a visita da Caravana da Anistia, do Ministério da Justiça. O objetivo da iniciativa é contribuir para o resgate, reflexão e debate da história do país.
Serão julgados processos de perseguidos políticos paranaenses e haverá um debate sobre o período de repressão no país. Várias personalidades serão homenageadas pela contribuição na luta contra o regime de exceção.
Na capital paranaense, a Caravana fará parte do Seminário “Anistia e Democracia - Direito à Memória e à Verdade”, promovido pelo Grupo Tortura Nunca Mais. A visita também marcará o lançamento da campanha de doação e arrecadação de documentos ao Memorial da Anistia Política no Brasil.
O memorial será construído até 2010, na cidade do Rio de Janeiro e terá um centro de divulgação e acervos históricos entre 1946 e 1988 e todos os arquivos da Comissão de Anistia. O projeto promoverá ações de fomento à pesquisa e publicação de materiais de relevo social sobre a luta pela redemocratização brasileira.
A portaria que criou o Memorial foi assinada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, durante a Caravana da Anistia de 15 de maio, na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro lembrou que o trabalho da Comissão é fundamental para a consolidação da democracia no país.
Para o presidente da Comissão, Paulo Abrão, o evento caracteriza uma união de gerações. "Este ato simboliza uma transferência de responsabilidades, daquela geração para as novas. A de 64 não se negou a cumprir uma tarefa fundamental, de resistir contra o autoritarismo, e precisa ser reconhecida por quem hoje desfruta dos benefícios democráticos".
“Vamos rememorar os que tombaram na luta, como Antonio dos Três Reis de Oliveira, José Idésio Brianezi e Major Joaquim Pires Cerveira, símbolos paranaenses das centenas de brasileiros assassinados pela Ditadura Militar”, informou Narciso Pires, presidente do Tortura Nunca Mais do paraná.
Os requerentes que terão seus processos apreciados são: Sebastiana Correia Bittencourt, Dimas Floriani, Gildo Scalco, Romulo Daniel Barreto de Farias, Regenis Bading Prochmann, Antônio José Messias e Horácio Martins de Carvalho.
SEBASTIANA CORREIA BITTENCOURT GUIMARÃES integrou, durante certo tempo, a Juventude Universitária Católica. Era professora e foi dispensada por conseqüência de sua ideologia. Em 1969 foi presa e muito torturada. Por conta da perseguição sofrida exila-se na França em 1970, de onde retorna somente em 1975.
Em 1968 DIMAS FLORIANI iniciou sua militância no movimento estudantil. Em 1970, o grupo de estudantes do Centro Acadêmico ao qual fazia parte abriu um cursinho pré-vestibular voltado às pessoas com poucos recursos financeiros. Após a prisão de um amigo, Floriani exilou-se no Chile e, depois, seguiu para o Panamá. Retorna ao Brasil em 1980.
GILDO SCALCO era professor. Foi detido em 1969 e submetido a torturas e interrogatórios. Em decorrência das perseguições sofridas, restaram prejuízos às suas atividades laborais.
Estudante secundarista em 1970, ROMULO DANIEL BARRETO DE FARIAS foi preso e torturado em 1971, por distribuição de manifestos considerados subversivos, atentatórios ao regime vigente.
Militante da Ação Popular – AP, REGENIS BANDING PROCHMANN era médico quando foi recolhido ao Quartel da Polícia Militar do Estado do Paraná em 1964. Durante todo período em que esteve preso, foi inquirido cotidianamente.
Emico Catzuda Messias pleiteia declaração de anistia política “post mortem” em nome de ANTÔNIO JOSÉ MESSIAS, que durante o período de repressão do Estado, era prefeito da cidade de Paranavaí, filado ao PTB. Messias foi preso, taxado de subversivo, e teve seu mandato cassado.
HORÁCIO MARTINS DE CARVALHO foi preso nas dependências da Operação Bandeirantes em 1973. Por conta da perseguição política sofrida, foi desligado de suas atividades laborais. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, pela participação em campanhas consideradas pelo autoritarismo de Estado como “de agitação e subversão”.